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Como organizar o seu fluxo de caixa em momento de crise

Por Marcus Vinicius Rocha

Em algum momento você deve ter escutado que todo gestor deve estar preparado para o gerenciamento de crise, ainda assim, é possível que mesmo os mais preparados para lidar com situações adversas não imaginavam lidar com um cenário de guerra. Situações como a qual nos encontramos hoje, provocada pela disseminação da COVID-19, impactam diretamente a atividade de todas as empresas, essencialmente aquelas que não estiveram ou ainda estão dentro do grupo de serviços essenciais, por isso, organizar o fluxo de caixa é essencial para a gestão de crise.  

O tamanho do impacto que a pandemia causará na economia ainda é incerto, a certeza é que não há possibilidade de crescimento para 2020, é preciso concentrar esforços para que seja possível uma virada no próximo ano. Para as empresas o resultado é ainda mais devastador, já que a maior parte delas não possui caixa suficiente para se sustentar durante as medidas de isolamento social e paralisação da maior parte do comércio. E o que é pior, passam a acumular despesas. As pequenas e médias empresas são as mais vulneráveis, 41% só tem caixa para 30 dias, 21% calculam ter um fôlego de até 60 dias e 77% preveem impactos grandes ou muito grandes provocados pelo coronavírus.

Em uma live realizada pelo InfoMoney, o especialista em contabilidade para pequenas e médias empresas José Elias Almeida, afirmou que o rígido controle de caixa de uma empresa é fundamental para que ela resista à crise.

“Quando uma empresa tem um controle bem estruturado de suas condições financeiras e contábeis, fica mais fácil projetar seus gastos e gerenciar o tempo de entrada e saída de dinheiro. Esse é o momento em que muitos empresários vão ter que parar, olhar para o negócio e começar a organizar as coisas para fazê-las caminharem”, afirmou Almeida.

O Jornal Rede Contábil elencou algumas estratégias para que gestores possam equilibrar o fluxo de caixa:

1) Faça a projeção do impacto

O ponto de partida para planejar seu fluxo de caixa na gestão de crise é fazer uma projeção realista dos próximos três meses (no mínimo), estimando a redução de receitas no período. As empresas devem estimar uma queda de 30% a 50% do faturamento durante o período de isolamento e paralisação.

2) Foque nos custos e despesas fixos

No cenário de queda dos serviços, a tendência é reduzir os custos variáveis no mesmo ritmo, mas os custos e despesas fixas como aluguel, manutenção e folha de pagamento permanecem. Por isso, você deve focar as estratégias nessa categoria, que garante a continuidade das operações da empresa.

Para começar, calcule exatamente quanto você vai precisar para cobrir esses gastos e avalie se a receita e capital de giro serão suficientes, mesmo com a diminuição do faturamento.

3) Evite as demissões

Depois de fazer sua projeção de fluxo de caixa na gestão de crise, o caminho óbvio será cortar gastos para manter a empresa funcionando. Fatalmente, as demissões surgem como uma alternativa emergencial para reduzir a folha de pagamento, que é o principal custo fixo das empresas.

Na verdade, esse é o momento de enxergar em longo prazo: seu pessoal é essencial para manter a empresa e recuperar o ritmo assim que a paralisação acabar, e você pode ter custos ainda maiores para contratar e treinar novos colaboradores no momento de volta às atividades. Então, ter uma equipe mais enxuta pode até poupar alguns custos imediatos, mas o preço lá na frente será mais alto.

4) Fique atento às medidas de apoio do governo

O governo tem lançado medidas provisórias e pacotes econômicos emergenciais para socorrer as empresas na crise do coronavírus, e você deve ficar atento aos benefícios. Enquanto a MP 927 flexibiliza as regras trabalhistas, a recém-publicada MP 936 de 1º de abril de 2020 permite a redução proporcional de jornada de trabalho e salários para evitar demissões. Além disso, vários aspectos tributários foram revistos: o prazo para pagamento dos tributos federais foi adiado no Simples Nacional e os procedimentos de exclusão de contribuintes por inadimplência de parcelas foram suspensos, por exemplo.

Com a nova lei, o empregador pode acordar a suspensão temporária do contrato de trabalho por até 60 dias, dando ao funcionário o direito de receber um benefício emergencial do governo. Para as micro e pequenas empresas, a suspensão não terá custo nenhum e o funcionário receberá o valor do seguro-desemprego integral. Já para as empresas que faturam acima de 4,8 milhões ao ano, há três opções de redução de jornada e salário: 25%, 50% ou 70%.

Nesse caso, o governo complementa o salário de quem ganha até um salário-mínimo e paga um benefício proporcional do seguro-desemprego para quem ganha acima disso. Por exemplo, se o trabalhador teve sua jornada reduzida em 25%, ele recebe 25% da parcela que seria o seu seguro-desemprego mais o valor proporcional do salário. A lei também prevê garantia de estabilidade pelo mesmo período das reduções ou suspensão do contrato.

5) Negocie despesas e dívidas

Depois de resolver a questão dos funcionários, é hora de negociar suas despesas e dívidas para segurar o caixa. A despesa que mais preocupa os empresários é o aluguel comercial, mas, como todos estão passando pela mesma crise, os locadores já estão aceitando acordos.

Segundo as recomendações do SEBRAE, a renegociação extrajudicial do contrato de aluguel pautada na boa fé é a melhor solução, buscando um desconto temporário no aluguel proporcional à baixa do faturamento ou mesmo prorrogando o pagamento até o fim da paralisação. A mesma lógica deve ser seguida com credores e fornecedores, renegociando dívidas e prazos de acordo com os impactos esperados da crise.

6) Recorra ao crédito (em último caso)

Em último caso, você pode recorrer a um empréstimo para cobrir o rombo no fluxo de caixa durante a gestão da crise do coronavírus. Em 27 de março de 2020, por exemplo, o governo anunciou uma linha de crédito emergencial de R$ 40 bilhões para ajudar pequenas e médias empresas a pagar o salário dos colaboradores que ganham até dois salários mínimos (R$ 2.090,00 no período), conforme noticiado no G1.

Já o BNDES ofertou uma linha de financiamento de até R$ 5 bilhões para empresas que faturam até R$ 300 milhões ao ano, com prazo total de até 60 meses, de acordo com os dados publicados na Exame.

A Casa do Crédito pode te ajudar, neste sentido, com diversas linhas de crédito disponíveis. O capital de giro, por exemplo, é uma linha de empréstimo* disponível em diferentes modalidades, para atender várias necessidades do fluxo de caixa da empresa, com juros atrativos e com o prazo de até 36 meses para pagamento.

Também há soluções de microcrédito, que é uma linha de crédito* de até R$ 21.000,00 com taxas de juros e prazos de pagamento diferenciado.

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Sobre o autor: Marcus Vinicius Rocha é jornalista formado pela Faculdade Estácio de Sá. Radialista formado pelo Centro Técnico Vasco Coutinho. Fotógrafo, Produtor Audiovisual e escritor especializado em comunicação empresarial.

Referências: Jornal Rede Contábil, Conta Azul, Rockcontet, InfoMoney, SEBRAE